sexta-feira, 1 de junho de 2007

Confissões a uma câmera de segurança

Eeae pessoas!!


Eu e Ana Flávia estamos participando do Festival Curtas Neosaldina! www.curtasneosaldina.com.br É uma competição de vídeos de até 1 min sobre a dor-de-cabeça que as pessoas tem por aí. Então produzimos um vídeo chamado "Confissões a uma câmera de segurança". Tem atuação de Henrique Moreira (para muitos uma surpresa, hein? =D).

O link para votação é: http://www.curtasneosaldina.com.br/default.asp?actA=3&termoVC=confiss%F5es&x=0&y=0

CONTAMOS COM SEU VOTO!

Precisamos de mais ou menos 2.000 votos até o dia 15 de junho! Precisamos correr! Acredito que cada pessoa pode votar no máximo uma vez por dia! E isso já seria de grande ajuda! Encaminhem esse email para suas listas! Não demora quase nada e você vai ajudar muito! =)

Valeu ae por tudo! E confira o vídeo logo abaixo.
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abraço's



sexta-feira, 18 de maio de 2007

tudo que vi

Cineport acabou, Suely venceu, Estamira venceu, Cartola venceu, Trecho venceu e Um Fazedor de Filmes venceu. Estou infinitamente satisfeito.


Todos os vencedores aqui


Tudo que vi por lá (tá com numeros pq são minhas anotações do ano):

correções: acrescentei "Pele" e "Coisa Ruim", havia esquecido.

69. Desistfilm | DVD| *** | (Stan Brakhage-curta)
70. Wedlock House: an intercouse | DVD | **** | (Stan Brakhage-curta)
71. Cats Craddle | DVD | *** | (Stan Brakhage-curta)
72. Window Water Baby Moving | DVD | **** | (Stan Brakhage - curta)
73. O Sangue de um Poeta | DVD | *** | (Jean Cocteau-curta)
74. Meshes of the Afternoon | VHS | **** | (Maya Deren-curta)
75. The Agent 1880 | DVD | *** | (Andrhey Ferreira-curta)
76. Poeira i Poesia III | DVD | *** | (Tambla Almeida-curta)
77. Anemic Cinema | VHS | **** | (Marcel Duchamp-curta)
78. Alone: Life Wastes Andy Hardy | VHS | ***** | (Martin Arnold)
79. passage á l'act | VHS | **** (Martin Arnold-curta)
80. Lisboetas (doc) | Cinema | *** (Sérgio Tréfaut-PT)
81. Estamira (doc) | Cinema | ***** (Marcos Prado)
82. Canto de Amor | DVD | ** (Jean Genet-curta)
83. The Knife | DVD | ** (Jack Goldstein-curta)
84. A viagem à Lua | VHS | *** (Meliès)
85. O Bolo | Cinema | * (Taciano Valério-curta)
86. Um Fazedor de Filmes | Cinema | **** (Arthur Lins e Ely Marques-curta)
87. SHSHSH: Sintonia Incompleta | Cinema | *** (Mário Jorge Neves-Portugal, animação, curta)
88. Cara de Cão | Cinema | * (Helena Lustosa-curta)
89. O Veneno da Madrugada | Cinema | ** (Ruy Guerra)
90. 98 Octanas | Cinema | *** (Fernando Lopes, Portugal) ***
91. Juventude em Marcha | Cinema | (Pedro Costa, Portugal)
92. Sete Minutos | Cinema | (Cavi Borges, Brasil) **
93. Sal Grosso | Cinema | *** (André Amparo e Ana Cristina Murta, Brasil-curta)
94. The End | Cinema | * (Victor Candeias, Portugal-curta) *
95. Balada das Duas Mocinhas de Botafogo | Cinema | *** (João Caetano Feyer e Fernando Valle, Brasil, curta)
96. Tapa na Pantera | Cinema | **** (Ioiô Filmes, Brasil-curta)
97. Moacir Arte Bruta | Cinema | (doc) ***
98. Pequenos Tormentos | Cinema | ***
99. Voz de Trombeta | Cinema | ***
100. Trecho | Cinema | ****
101. Cartola | Cinema | ****
102. Jaguaribe Carne: alimento da guerrilha cultural | Cinema | **
103. O Céu de Suely | Cinema | ****
104. Um fazedor de filmes | Cinema | **** (3ª vez)
105. Pele | Cinema | * (Portugal)
106. Coisa Ruim | Cinema | ** (Portugal)



ao todo foram 35 audições em 10 dias de festival (num tem céeeerebro que aguente), 8 para longas e todo o resto para curtas. Sendo que vi Cartola e Um Fazedor de Filmes duas vezes. Céu de Suely eu já tinha assistido no cinema.


Para mim o melhor filme do festival foi realmente Estamira, meche com seu estômago, ou qualquer coisa que fique perto disso... O mais surpreendente foi Juventude em Marcha, pelo desconcerto que ele faz na sua cabeça pseudo-entendida de cinema. Cartola pra mim foi o mais emocionante, por mexer com o imaginário cultural brasileiro em longas décadas e ter as canções mais bonitas do mundo. Deixa Vinícius no chinelo.




Além desses filmes, durante as duas últimas semanas eu tomei overdese de outros dois filmes extremamente livres, O Signo do Caos (grande Rogério Sganzerla) e Serras da Desordem (meu primeiro filme de Andrea Tonacci...preciso assistir Bang-Bang)

66. O Signo do Caos | DVD | ***
67. Flores Partidas | DVD | ***
68. Serras da Desordem | DVD | ***



Peguei DVD emprestado e vou assistir alguns dos curtas que passaram quando faltei à oficina. Pelechiant. Já vi Os Habitantes e tem uma fotografia do caos que é possivel fazer relação clara com Marcos Prado em Estamira.


Por sinal, estou irado. O texto da Contracampo teve a coragem de dizer que a fotografia de Estamira é clichê. Tô pra achar pretensão maior. Por favor!




grande abraço!

em breve, novidades.

sábado, 12 de maio de 2007

Semcor no Cineport

Eae



bom, estou aqui, ao fim de festival para dar uma notícia que muito me alegra. Como resultado da oficina de video experimental com Paula Gaitán, meus videos terão exibição no festival.

Logo, convido a todos para amanhã (domingo) as 16h estarem na Andorinha Digital (vizinho ao Palco) na Usina Cultural da Saelpa. Serão exibidos videos de toda a turma que participou da oficina e alguns de meus videos (incluindo um inédito) serão apresentados.

Estou feliz e tá saindo pelos poros!

abraço's =)

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Surpresas portuguesas

A última quinta-feira foi um dia de grande expectativa para mim. Há muito que leio com freqüência rígida as revistas eletrônicas de cinema Contracampo e Cinética. As duas, na temporada passada de festivais, citaram com grande entusiasmo o filme Juventude em Marcha do realizador português Pedro Costa. Alguns dos jornalistas que escrevem para a revista publicaram textos realmente apaixonados pelo filme e até o elegeram como o melhor das mostras. Tais críticos de cinema tem o prazer de poder conferir grandes filmes com certa freqüência devido ao local onde moram. Porém, leitores de cidades "distantes" como João Pessoa, dificilmente tem acesso aos mesmos filmes, a não ser pela internet. Logo, Juventude em Marcha era para mim um filme que trazia muita curiosidade e expectativa. Quase fiz festa quando soube que haveria a exibição do mesmo no 3º Cineport. Porém, não é dele que quero falar ainda.

98 Octanas (Fernando Lopes, Portugal) ***


Ao contrário das outras ficções de Portugal que assisti no festival (Pele e Coisa Ruim), esse filme de Fernando Lopes traz zelo na direção, fugindo de clichês. Assim como tantos outros diretores portugueses, nunca vi nenhum outro filme de Lopes, porém, 98 Octanas tem um traço autoral claro. História simples (apesar de atrair poucos): casal se encontra em loja de conveniência no meio de viagem e o homem dá carona a mulher. Os dois começam aí uma relação travada por dureza nas palavras, no falar. Isso, quando se fala. Enquanto Maria está sempre disposta a conhecer mais Rogério, ele está sempre distante, sendo grosso e frio. Aos poucos, durante a viagem, são revelados segredos de cada um que fazem a relação se aprofundar.

Road-movie sem necessariamente ter esse gênero traçado com precisão, 98 Octanas tem como ponto forte a sinceridade na direção. Planos-sequência trabalhados de forma a construir uma mise-en-scene rica em tensão, revelações, trabalhando o movimento dos corpos no espaço com beleza que não se viu muitas vezes no festival. No trato da relação de afeto entre os dois personagens, há muito de Um amor à flor da pele de Wong Kar-Wai. Tudo parece estar sempre por acontecer, mas não se concretizam os desejos. Um filme rico em sensações. Falha, por muitas vezes, nos diálogos, que se tornam um tanto bobos em muitas vezes. Penso que há aí uma diferença cultural que não torna o filme tão universal quanto poderia. Porém, diante de algumas péssimas obras portuguesas que apareceram pelo festival e que concorrem em categorias principais, fico sem entender por que 98 Octanas concorre apenas ao prêmio de melhor música (ótima por sinal) e melhor ator, para Rogério Samora.



Juventude em Marcha (Pedro Costa, Portugal)


Peço sinceras desculpas aos leitores. Um filme atordoante que não me sinto preparado para escrever sequer algumas linhas. “Desconcertante” talvez seja a única palavra que quero deixar por enquanto. O filme de Pedro Costa não se enquadra em nada que conheço. Nem uma nota eu ouso deixar. Porém, para não dizer que sou um incompetente por inteiro, deixo apenas algumas citações da conversa pós-sessão com o amigo Arthur Lins:

“O montador foi quem apresentou o filme. Acho que você não tava na sala ainda. Ele veio informar que ao contrário dos 93 minutos que estão no programa, na verdade eram 155 minutos!”

“Ele está aí? Preciso ir perguntar a ele se ele não teve vontade de cortar mais...(risos)”.

“Cara, o Ventura parece um fantasma, né? Essa coisa dele ficar lá dormindo sozinho no apartamento, o jeito dele andar...”

“Sim...é mesmo. Várias vezes no filme eu me lembrei do Last Days de Gus Van Sant”.

“A legenda é que complicou. Uma hora tem legenda, outra não! O que era aquilo? Quis entender a carta que ele repetiu 10 vezes e nenhuma vez teve legenda”.

“Fotografia e planos são completamente fora do padrão, né? Tudo com muito teto, enquadrando muito perto do chão, sem profundidade de campo, muitos brancos em contraste com a pele e roupa do Ventura”.



No mais, filmes assistidos ontem:

98 Octanas (Fernando Lopes, Portugal) ***
Juventude em Marcha (Pedro Costa, Portugal)

Curtas:

Sete Minutos (Cavi Borges, Brasil) **
Sal Grosso (André Amparo e Ana Cristina Murta, Brasil) ***
The End (Victor Candeias, Portugal) *
Balada das Duas Mocinhas de Botafogo (João Caetano Feyer e Fernando Valle, Brasil) ****
Tapa na Pantera (Ioiô Filmes, Brasil) ****




Hoje é a noite de Cartola, O Ano em que meus pais saíram de férias e O Céu de Suely. Além do novo filme de Kiko Goifman.

abraço's!

quarta-feira, 9 de maio de 2007

O veneno do cansaço



Participar de um festival de cinema numa maratona de filmes durante o dia inteiro é diferente. Estou na oficina (último dia) com Paula Gaitán e, apesar de vermos em geral, curtas-metragens, vemos em grande quantidade e de conteúdo bastante complexo: cinema não-narrativo, poético, contemplativo. Desde Meliès até Martin Arnold. Como Paula intitula sua mostra no Rio de Janeiro, “Cinema que Pensa”.

Nesse contexto de passar o dia inteiro na Usina Cultural da Saelpa (locação do Cineport), quando chegamos à noite para assistir aos longas da competição de 35mm, temos a mente e corpo cansados, o que atrapalha bastante a recepção de belas obras como O Veneno da Madrugada de Ruy Guerra.

Porém, a força do filme foi claramente maior que o cansaço. O trabalho de Guerra junto a Walter de Carvalho (que, por sinal, me parece que nunca erra na fotografia, seja qual for o trabalho) é carregado de uma plástica extremamente influenciada pelos quadros de Goya. A construção dos planos está, muitas vezes, delimitada pelo uso de janelas, paredes, sombras, como nos filmes de Wong Kar-Wai. O uso de planos-sequência, junto a esses recursos visuais, traz uma dinâmica única ao filme. Somos um personagem que está sempre observando tudo às escuras, descobrindo os segredos do povoado onde se passa a ação do filme.

Ruy Guerra usa toda essa estética para atingir o objetivo vertiginoso da história. Nunca está claro no filme as verdadeiras intenções de cada um. O enredo é muito mais para ser sentido através da dimensão sensorial proporcionada nas imagens e, de forma peculiar, nos sons. Todos eles com força extrema, vindo de forma brusca. Os climas, muito bem construídos, de tensão e agonia (representada na metáfora do dente podre do Alcaide) tem apenas o pequeno erro de usar trovões repetidas vezes em falas mais dramáticas ou reveladoras. Um filme que merece ser revisto graças a sua carga emocional e direção muito bem trabalhada.


Últimos filmes vistos no CIneport


CURTAS

Canto de Amor – Jean Genet **
The Knife – Jack Goldstein **
A viagem à Lua – Meliès ***
O Bolo – Taciano Valério *
Um Fazedor de Filmes – Arthur Lins e Ely Marques ****
SHSHSH: Sintonia Incompleta – Mário Jorge Neves (Portugal, animação) ***
Cara de Cão – Helena Lustosa *

LONGAS

O Veneno da Madrugada – Ruy Guerra ***

Curtas paraibanos



No período da tarde pude assistir a sessão de vídeos paraibanos do prêmio Cineport / Saelpa. No dia, apenas duas apresentações: O Bolo de Taciano Valério (Campina Grande) e Um Fazedor de Filmes de Arthur Lins e Ely Marques.

O Bolo é uma ficção de 17 minutos que tem como foco a história de Mirela, uma menina que espera que seu pai, um cordelista, traga para casa ao fim do dia um bolo.

Taciano Valério é o realizador campinense que teve destaque em 2005/2006 com seu documentário O Buraco, sobre um velho que tem memórias delirantes sobre sua participação na 2ª Guerra Mundial. O diretor demonstrou em seu documentário que tinha potencial para desenvolver um bom trabalho futuro. Porém, não é o que acontece em O Bolo. O curta é mal trabalhado, especialmente no roteiro. Pareceu muito forçada a idéia de um artista não poder levar um bolo para casa por não valorizarem seu trabalho. Apesar de ser uma realidade, existem muitas implicações que poderiam gerar diversas situações que não são exploradas no filme. A carga dramática que se pretendia à visão da menina Mirela fica deficiente até pelo uso da animação mal feita (afinal, quem tem feito essas animações em Campina? Manoel Monteiro tem dessas e não dá pra entender por que fazem essas escolhas). Por fim, aplausos frios e tímidos. Um filme que poderia dar muito mais, ficou devendo.


É tudo encanto

(sou entusiasta deste documentário do meu amigo Arthur Lins. Assistindo-o pela segunda vez, apenas tive a certeza de que deveria publicar o texto que escrevi na ocasião do seu lançamento em novembro do ano passado).


Um Fazedor de Filmes é um filme sobre encanto. Sobre três tipos de encanto que regem três tipos de relação com o cinema (ou vídeo, como queiram). O encanto de um cineasta amador que, um dia, descobriu na sétima arte um sentido para algo que ele buscava percebendo ou sem perceber. Ivanildo queria ser ator e descobriu que fazendo filmes poderia ser um. Sendo o diretor, podia sim incluir-se como um dos participantes do elenco. E assim o fez, juntando amigos que pareciam gostar da brincadeira de filmar histórias interessantes. Tudo encanto por esse mundo de interpretar frente a uma caixa com lentes que poderiam fazer deles novas pessoas e da cidade de Soledade, novo mundo. Encanto pela idéia desse enredo ser apresentado em telão na praça pública para todos da cidade.

Há um outro encanto. O de quem tem o olhar em busca de grandes achados, mesmo que estes, por muitos, não sejam considerados grande coisa. O encanto de quem está atrás da beleza de um depoimento que vem naturalmente. A beleza de uma descoberta que traz novo fôlego a essas buscas. Arthur Lins e Ely Marques acham Ivanildo e seus colegas e ali firmam relação que, por certo, não se resume a de entrevistado e entrevistador. Parece, pelo o modo de filmar dos diretores, pelo o modo de colher esses depoimentos, que não há necessidade de um espectador. Que a conversa não está para um possível grupo de pessoas que um dia talvez assistiriam numa sala escura tudo aquilo que fora captado. Arthur e Ely são os primeiros espectadores do filme. Por isso, suas intervenções - perguntando e acrescentando-se às falas de alguns dos entrevistados -, não parecem ser de um diretor de documentário perguntando para seu "objeto de estudo/apresentação ao mundo". Mas, parece sim, o que nós gostaríamos de perguntar a Ivanildo se tivéssemos o descoberto.

Mas há espectadores. Aí entra o terceiro encanto. Como Ivanildo, muitos sonham em fazer filmes. Mesmo que por brincadeira ou, realmente, levando a sério. Os sites de relacionamento através de divulgação de material audiovisual estão aí para comprovar. Todos querem filmar e mostrar. Contar histórias através da força simbólica da imagem. Há espectadores e esses querem ser fazedores de filmes. Sejam estes, filmes que descobrem ivanildos ou filmes que atraem outros arthurs e elys. A riqueza de Um Fazedor de Filmes está no encontro dos três encantos que o rondam. Os encontros são o clímax da metalinguagem que atravessa todos os relatos. A história de Ivanildo não poderia ser contada num livro ou no rádio com a mesma riqueza. Pura metalinguagem. Puro cinema.